Foto: Larissa Mundim

Faces (d)e palavras dos autores de “Os Olhos do Bilheteiro”

 

por Regina Magnabosco

Um mergulho nas palavras dos poetas que compõem a coletânea Os Olhos do Bilheteiro foi dado na noite desta segunda-feira, 21, em descontraído bate-papo realizado no Espaço Culturama. Os novos autores e escritores convidados que compõem a obra leram e foram lidos entre si e também por visitantes e jovens talentos que estão ingressando no novo edital para autores inéditos da Nega Lilu Editora. A rede de pessoas que tem em comum a sensibilidade e o amor à linguagem escrita cresce e se fortalece nas atividades organizadas pela escritora e jornalista Larissa Mundim, coordenadora editorial da Nega Lilu. Nós, participantes deste mais recente encontro, comprovamos nos textos da antologia poética da Coleção e/ou, que na poesia cada palavra “tem mil faces secretas sob a face neutra”, como nos atestou o célebre Drummond.

Após uma apresentação dos participantes, que também falaram de suas experiências com a escrita ou simplesmente de seu interesse pela leitura ou pela troca de ideias sobre literatura, um breve silêncio marcou a passagem dos olhos dos escritores, que deixaram as faces espectadoras e baixaram-se às páginas do livro, adentrando-se coletivamente. Nem todos os autores do livro puderam estar presentes, mas isso não impediu que alguns deles fossem evocados a partir da leitura de seus poemas. As escolhas, provavelmente assentindo a alguma peculiaridade que cada pessoa encontra na palavra-poesia da outra, deram-se aleatoriamente e emocioram quem ainda não havia se descoberto em determinado texto poético.

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As angústias e dilemas humanos e a contemporaneidade urbana aparecem na obra em linguagem ora sugestiva, ora metafórica. Os debatedores tentaram analisar suas singularidades ou coincidências, cientes de que sempre haverá mais por descobrir em muitos desses trabalhos. A poesia concreta, desprovida de versos e aberta a diferentes possibilidades de leitura, também integra o livro. É o caso do poema Sem Título, de Hariel Revignet, que teve uma observação destacada no encontro, em especial pela forma em que foi editado o livro. Tendo uma composição que remete à ideia de chuva e lágrimas, Sem Título é apresentado logo após Meus Olhos Chuva, um dos cinco poemas de Ciro Gonçalves integrantes da obra e que foi declamado pela escritora Cássia Fernandes, presente na antologia poética como convidada, com o poema As Donas.

A escritora Dairan Lima, que compõe a coletânea com Desejo e Dádiva, não apenas foi lida e comentada como nos deleitou narrando episódios de seu cotidiano. Amigos, cinema, bares, artistas e outros temas realçaram o talento de Dairan na contação de histórias. Sinto que um livro de crônicas dessa menina não vai demorar a sair. Participante da antologia como convidada, a escritora Pilar Bu teve seu poema Resistirmos, a que será que se Destina? declamado por Juliana Cândido, que pretende integrar o próximo edital da Coleção e/ou e participou do bate-papo com boas contribuições em análises literárias. Pilar fez interessantes intervenções sobre as poesias lidas e comentou sobre a importância de divulgação da obra além-fronteiras.

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Também enriqueceram o encontro Camila Lopes Belém, Jucimeire Costa, Ana Paula Farias, Roldão Barros e Ulisses Alencar. Ulisses não é escritor mas apreciou tanto a antologia de contos e crônicas – As Dores de Josefa – como a de poesias, compareceu ao bate-papo e fez a leitura de Post-Mortem, um dos poemas de Maysa Puccinelli. E por falar em As Dores de Josefa, nosso encontro foi prestigiado por Cristiano Deveres, escritor convidado da antologia de contos e que integra a obra com o conto Mãe Mônica.

Como eu não sabia que faria esse relato, não anotei e não me lembro exatamente quem leu quem, mas esse é um detalhe não tão relevante. Nossa reunião foi rica principalmente pelo entrelaçamento de autores/leitores. Costumo dizer que os meus “…Olhos do Bilheteiro” ficaram mais brilhantes depois de integrar a coletânea da Coleção e/ou da Nega Lilu. Foi interessante ouvir diferentes prospecções sobre a poesia, quem seria o bilheteiro e onde eu o teria encontrado.

Para quem perdeu ou para quem foi mas está com gostinho de quero-mais, já temos novo encontro agendado para o dia 8 de dezembro, no Culturama: uma conversa com as poetas Cássia Fernandes e Dairan Lima sobre poesia contemporânea.

 

Regina Magnabosco é jornalista. Ama a palavra e o discurso dos rios. Ama o rio e o curso das palavras. É autora do blog Ruas e Papéis e escreve quando lhe pulsa a vida. Em Os olhos do bilheteiro, ela assina o poema que intitula a antologia.

 

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