Foto: Larissa Mundim

Literatura do encontro

Por Lucas Pereira

Informalidade é a palavra. Foi formando um círculo que não era exatamente um círculo – ninguém estava ali por formas ou  regras –, em uma das salas do Espaço Culturama, que autores do livro As dores de Josefa, se propuseram a um bate-papo descontraído sobre a obra na última segunda-feira (31/10). O que unia aquela turma ali é subjetivo, inspiração e criação em diálogo fluido, amor à escrita, um contato caloroso que, além das palavras, somente olhares ávidos de vida, no mais fugaz dos seus significados, transmitem.

Antes de ser um autor publicado no livro, sou um eterno leitor, e como tal, vejo como imensamente válida a possibilidade de discutir ideias. Como dito na ocasião, as narrativas atingem cada um de forma muito pessoal e subjetiva. Essa é uma das maiores riquezas desse mundo. Os sentidos e os sentimentos foram pauta a todo o momento. O que inspira, o que polemiza, hábitos de escrita, análises pessoais, estilísticas que nos aproximam e afastam deixando as criações mais ricas, tudo foi discutido entre uma gargalhada e outra.

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Preciso dizer que ouvir da talentosíssima, para não dizer fodástica, poeta Dairan Lima um elogio sobre o Sertão Pequeno, meu conto publicado na antologia, é razão de pavonear-se. O jornalista e escritor Leonardo Teixeira nos presenteia com duas tramas de tirar o fôlego e aguçar os sentidos. Vê-lo compartilhar de suas vivências com a literatura é um privilégio. Os olhos de Rico Lopez são de curiosidade genuína. Coisa que adoro. Seus trabalhos unem prosa e poesia em um bailar delicado e refinado. Cito os que estiveram presentes, mas a vontade é de derramar-me em palavras – lê-se elogios – sobre os trabalhos dos demais colegas.

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Nosso livro reúne a cidade, o sertão, os diferentes tipos de pessoas e casos, em um aglomerado que trata da alma humana, vestindo-a e despindo-a dos mais variados sentimentos. E não só deles. Os animais também rendem estórias que merecem ser contadas. A saga de cãozinho farsante Bino que o diga. Entendedores entenderão.

A ocasião ainda serviu para sanar dúvidas sobre o edital aberto pela Nega Lilu Editoar para o volume 2 da Coleção e/ou. Eu, inclusive, já estou produzindo. E vocês?

Costumo dizer que ninguém sai de uma conversa, mesmo as mais despretensiosas, do jeito que entrou. Quer coisa melhor do que aprender coisas novas e perceber novas perspectivas? Eu tenho certeza que As dores de Josefa e as cabeças pensantes por trás dessas páginas que gritam têm muito mais a partilhar.

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A iniciativa de aproximar os autores e autoras é de uma sensibilidade que de fato habita a jornalista e escritora Larissa Mundim, à frente da Nega Lilu Editora. Já temos nova rodada de conversa confirmada para o dia 21 de novembro, às 19 horas, no Culturama. Desta vez, o foco é o trabalho publicado na antologia poética Os olhos do Bilheteiro.

 

Lucas Pereira é nascido em Orizona/GO, é jornalista e escritor. Curioso por natureza, vê no cotidiano uma fonte infindável de inspiração. Gosta de se descrever como uma mescla de deserto, casualidade e cafeteria. Autor do conto Sertão Pequeno, publicado na antologia As dores de Josefa (Nega Lilu Editora – Selo Naduk)

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