A escritora Cássia Fernandes inicia gravação do audiolivro na Rádio Universitária-UFG

Audiolivro produzido em Goiás promove inclusão de leitores deficientes visuais

Miss Austen, Condessa e Madame Natasha são as personagens do audiolivro Abracadabras: crio enquanto falo, escrito por Cássia Fernandes, que será lançado pelo Selo Ç3 da Nega Lilu Editora. Além da autora, as intérpretes convidadas são as atrizes Carol Schmid e Débora Di Sá e as gravações dos poemas que integram a obra serão realizadas até a sexta-feira, desta semana, na Rádio Universitária – UFG.

O audiolivro terá trilha sonora original composta pelo Grupo Compasso. Música de domínio público também será utilizada na criação de ambiência para as narrativas que envolvem as três mulheres, bem como efeitos sonoros que pretendem conectar o século 21 ao século 19, período em que as personagens viveram. A direção musical é do escritor e jornalista Itamar Ribeiro.

Criada para ser ouvida, a obra tem potencial de circulação democratizada, contemplando a inclusão de leitores deficientes visuais. “E para que deficientes auditivos não ficassem privados do acesso ao livro, também estamos produzindo a versão em e-book de Abracadabras: crio enquanto falo, com estrutura ampla de difusão”, revela Larissa Mundim, diretora da Nega Lilu Editora.

Com apoio do Fundo Estadual de Arte e Cultura e parceria da Universidade Federal de Goiás, o lançamento está previsto para abril deste ano, com um plano de difusão de alcance internacional. “O audiolivro estará disponível em streaming para um universo de 1,5 milhões de assinantes, na América Latina”, conta ela.

A estratégia de comunicação estará ancorada em mídias sociais e na rede de rádios públicas, mais de 200 veículos de comunicação, em todas as regiões do Brasil. De acordo com a Nega Lilu Editora, Abracadabras: crio enquanto falo inicia seu plano de circulação oferecendo aos leitores mil acessos gratuitos, no período de um ano.

Concepção

Cássia Fernandes define seu livro como uma “obra escrita e falada, para ser lida e ouvida”. A autora conta que Miss Austen, Condessa e Madame Natasha são vozes dissonantes. “Cada um desses heterônimos tem um perfil, um modo singular de encarar o mundo. Nos textos é recorrente a busca pelo amor no universo contemporâneo das relações virtuais. Simultaneamente, há um diálogo com hábitos, comportamentos, valores e mesmo a literatura do passado, com autores como Jane Austen e Dante Alighieri”, comenta.

O heterônimo Miss Austen evoca a escritora inglesa do século 19, Jane Austen. Por sua vez, Condessa seria uma antiga dama do passado, que tendo vivido no século 19 também, habitaria hoje o Segundo Círculo do Inferno da Divina Comédia de Dante Alighieri, no qual estariam encerrados os condenados pelo pecado da luxúria. Já Madame Natasha, seria uma espécie de bruxa e cigana de origem misteriosa. Todas elas seriam almas desencarnadas que se apropriariam da pena da escritora (do cavalo – expressão que designa o médium na Umbanda) para se expressar e continuar a viver em uma nova época.

Segundo a autora, o jogo, o antagonismo e a disputa entre as vozes pela prevalência se dá de modo lúdico. A dualidade e o conflito entre os conceitos de real e de imaginário perpassam também toda a obra. Há um contínuo embate entre a fé, a credulidade e o ceticismo.

 

 

 

 

 

 

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