Feira e-cêntrica 2020 começa no sábado (7/3) em Goiânia

Mais de 100 publicadores independentes de seis estados e do Distrito Federal integram a feira e-cêntrica, nos dias 7 e 8 de março, na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro de Goiânia. Expositores apresentam, para público de todas as idades, seus livros especiais, histórias em quadrinhos, zines e artes gráficas. A programação gratuita inclui oficinas, minicurso e rodas de conversa com escritores, editores e pesquisadores, exposições de arte, além de lançamentos literários. Apoio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura e apresentação do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, por meio do edital de fomento à literaura de 2018.

A feira e-cêntrica é uma ação de apoio à inovação do mercado editorial e, em 2020, integra o Projeto Madalena Caramuru. Realizado pela Nega Lilu Editora e pela Casa da Cultura Digital, o trabalho visa impactar a cadeia produtiva do livro de ponta a ponta: estimulando a leitura, formando novos autores, motivando a autopublicação e buscando circulação independente para a produção gráfica e literária.

“A qualificação de leitoras e leitores, a valorização da autoria, a atualização do papel das editoras, distribuidoras e livrarias e a busca de novos modelos de negócios estão entre os aspectos fundamentais para a inovação no mercado editorial”, defende a coordenadora e curadora da e-cêntrica, a escritora e editora Larissa Mundim.

Fotos: Layza Vasconcelos

De acordo com ela, a estratégia da e-cêntrica passa também pelo combate à invisibilidade da produção gráfica e literária nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, pelo fortalecimento e ampliação da atuação de pessoas racialmente e sexualmente sub-representadas desta cadeia produtiva e pela busca de alternativas de difusão e comercialização da produção. Para além da feira de publicações independentes, o trabalho desenvolvido pela e-cêntrica pode ser conhecido em www.e-centrica.org .

Expositores

As editoras, selos literários, coletivos criativos e artistas gráficos que compõem a feira passaram por processo seletivo que considerou esta visão e-cêntrica. Sendo assim, para a curadora, juntamente com a qualidade do trabalho, a representatividade foi critério fundamental na escolha dos expositores. “Gênero, sexualidade e as questões étnico raciais estão contempladas pela curadoria”, ressalta Mundim. Segundo ela, aos poucos a e-cêntrica vem atraindo o interesse de publicadores indígenas, idosos e de pessoas com deficiência, cuja autoria já está representada desde as primeiras edições da feira.

A organização da feira aguarda mais de 2 mil pessoas na Vila Cultura Cora Coralina, no sábado e domingo

A primeira edição da e-cêntrica teve 64 expositores e a segunda contou com 80. Com o aumento do número de editoras, selos literários, coletivos criativos e artista gráficos, a curadoria garantiu a ampliação de representatividade. Assim, em 2020, cresceu a participação de mulheres, negros, LGBTQIs e autores indígenas estão contemplados por meio de publicações de editoras como a AUA (DF) e a Pólen Livros (SP).

Atividades formativas

Os trabalhos gratuitos de formação se iniciam um dia antes da feira, com a Oficina Peripatética de Escrita Criativa, conduzida pela escritora e jornalista Cássia Fernandes (GO), nas ruas do Centro de Goiânia. Ao todo são mais de 20 oficinas, rodas de conversa e o minicurso com a editora Lizandra Magon (Pólen Livros). As inscrições estiveram abertas até 3 de março e mais de 300 vagas foram disponibilizadas para pessoas interessadas em leitura, escrita, literatura e em estratégias pedagógicas de estímulo à leitura.

Mais de 300 pessoas vão participar de atividades formativas durante os dois dias da feira e-cêntrica

Ainda há vagas para os bate-papos, com destaque para as rodas de conversa conduzidas por escritoras e editores de todo o Brasil. No sábado, “Lesbiandade na obra de Cidinha da Silva”, é destaque na programação, com a presença da autora. Ainda no dia 7, diversidade, inclusão e acessibilidade é tema da conversa com quatro autores goianos: Ademar de Queiroz, Ana Christina da Rocha Lima, Carla Lacerda e Chyntia Barcellos.

No dia 8, a ilustradora Ciça Fittipaldi, indicada pela quinta vez para o Prêmio Hans Christian Andersen, discute aspectos do mercado editorial com os ilustradores Juliana Russo Burgierman (SP), Luana Santa Brígida (GO) e Nestor Junior (SC). O negócio livreiro é destaque na pauta de domingo, por meio do bate-papo “Novas estratégias de distribuição no mercado editorial”, que reúne Larissa Mundim (GO), Lizandra Magon (SP), Rodrigo Acioli (PE) e Wallison Gontijo (MG). Confira abaixo a programação completa da feira e-cêntrica de publicações independentes.

Lançamentos literários

A feira também dedica espaço para a aproximação entre leitores e autores, nos encontros programados para 19h30, no sábado, e 18h30, no domingo. Este ano os lançamentos literários coletivos trazem a Goiânia Cidinha da Silva (Parem de nos matar, Pólen Livros), Eliete Della Violla (Sim, autopublicação), Juliana Russo Burgierman (Pequenos acasos cotidianos, Sala Aberta), Ricardo Rodrigues (Nosso amor não é bom pra ninguém breve catálogo de desamores, da Experimentos impressos) e Tatiana Nascimento(Leve sua culpa branca pra terapia, padê editorial).

Cidinha da Silva lança Parem de nos matar (Pólen Livros) no sábado

A literatura goiana estará representada por Gustavo Neiva Coelho, que lança Dias de chuva, publicado pela Trilhas Urbanas. O livro artesanal Peri patê, antologia poética resultante da Oficina Peripatética de Escrita Criativa também virá a publico na noite de domingo, com costura manual, tiragem limitada, especial para colecionadores.

Exposição

O produto das oficinas de carimbos artesanais, linogravura e as três oficinas de desenho ganha espaço para exposição nesta edição da feira. A galeria Antonio Poteiro da Vila Cultural Cora Coralina foi incorporada ao espaço da feira e-cêntrica e vai receber uma exposição individual de Sophia Pinheiro: Tekoypy ‒ a origem do mundo Mbyá-Guarani. A artista também traz a público os originais do retrato de Madalena Caramuru, arte que norteou a criação de identidade visual da feira e-cêntrica.

Madalena Caramuru

A feira e-cêntrica integra o projeto Madalena Caramuru que, além desta ação de difusão da produção gráfica-literária independente, promove um programa de capacitação para gestores de bibliotecas públicas em Goiânia e Região Metropolitana. Entre abril e novembro de 2020, com apoio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, a NegaLilu Editora e a Casa da Cultura Digital irão realizar seminários mensais para discussões ancoradas em dois marcos legais: Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) e sobre o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

Este programa de capacitação foi idealizado para fortalecer as bibliotecas públicas, mas está aberto a toda a comunidade interessada na cadeia produtiva do livro, no mercado editorial, em estratégias pedagógicas de qualificação da leitura e estímulo à escrita. Entre os profissionais convidados para a condução dos debates e dos grupos de trabalho formados pelos gestores de bibliotecas públicas estão: Alessandra Roscoe (DF), Aline Rochedo Pachamama-Churiah Puri (RJ), Claudine Duarte (DF), José Castilho Marques Filho (SP), Larissa Mundim (GO), Maria das Graças Monteiro (GO), Veridiana Negrini (SP) e Volnei Canônica (RS).

SERVIÇO

Feira e-cêntrica: 7 e 8 de março 2020 (sábado e domingo)

Vila Cultural Cora Coralina, atrás do Teatro Goiânia, em Goiânia

ENTRADA FRANCA

Confira AQUI a programação completa.

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