Livro dezessete traz experimento de linguagem na poesia de Beta M. X. Reis

O livro dezessete é uma obra poética que investiga afetos e elaborações possíveis através da palavra escrita. Com poesia contemporânea, que tensiona limites da língua portuguesa, a autora Beta M. X. Reis busca aproximação com leitoras e leitores em seu livro de estreia, publicado pela NegaLilu Editora. Com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o lançamento será no quarta-feira (17/2), às 20 horas, nos canais Nega Lilu, no Facebook e Youtube.

Parte dos 99 poemas publicados demonstra atenção a questões sociais urgentes. dezessete diz “não” a imposições e demonstra abertura para posturas de revaloração, diálogo e intercâmbio com o ambiente e a cultura do nosso tempo/espaço. “Se a ocasião pedir um grito contra, há de se dar um grito contra”, afirma a autora. Nas entrelinhas, o livro reinvindica que o número 17 seja “devolvido” e que tenha sua beleza e integridade restauradas.

Mas segundo Beta M.X. Reis ou simplesmente beta reais (com letras minúsculas), a intenção mais ampliada de dezessete é conduzir a poesia para além do seu aspecto comum, e perceber que isso também pode ser feito através do que se considera ordinário. “Este livro é um convite para a construção de uma realidade e busca estimular a percepção de que a poesia pode e deve ser uma resposta existencial a partir de cada subjetividade no mundo”, comenta ela.

Foto: Lu Barcelos/ Chocolate Fotografias

 

 

Linguagem

Transitando pelo território de quase 200 páginas, a autora demonstra desapego e segurança para expressar manifestações do idioma alterado. Os poemas, organizados em 17 sessões, são práticas de uma escrita em busca de compreensão do momento em que vivemos. “Tudo ali é consciente e possui lastro”, ressalta Larissa Mundim, editora de dezessete.

Segundo ela, para algumas pessoas, esta escrita poderá aparentar similaridade com estratégias da “novilíngua” criada por George Orwell, no romance distópico 1984. “Ainda que seja uma semelhança às avessas”, completa Mundim. É que, diferente do que se pretendia naquele governo fictício ultra-autoritário, sínteses e condensações propostas por beta reis são como o registro da “ausência de palavras perdidas ou roubadas ou que tenham se recusado a permanecer”.

Dessa forma, inspirada pelo pensamento e pela estética de Emily Dickinson, Augusto de Campos, Valesca Popozuda, García Lorca, Jean-Paul Sartre entre tantos outros e tantas outras, beta reis nos oferece uma poesia acolhedora de coloquialidade e regionalismo, pleonasmo, desvirtuamento de gênero e número, pontuação reprogramada. Não há, no entanto, a intenção de reinvenção da gramática. “Percebe-se mais uma proposta de autonomia linguística não violenta”, analisa a editora.

As referências da autora são inúmeras e compartilhadas com leitoras e leitores para ampliar a proximidade com o universo de idiossincrasias que vai sendo descortinado página a página. As epígrafes e as notas de rodapé não somente registram fontes de informação e inspiração, mas oferecem uma trilha de acessos ao conhecimento, à diversão, à vida como ela pode ser.

Dentre as proposições de beta reis em sua investigação de afetos e de elaborações a partir da palavra escrita, destaca-se ainda a poesia visual contemplada, quando a pontuação assume o papel primário de sinalização gráfica e favorece o desenho como se criasse emojis, no caso, emojis “não institucionalizados”. Imagens também podem surgir a partir das linhas formadas por palavras. Como é o caso do último poema do livro, “rebotoar”, cuja leitura tem orientação singular.

A instigante capa de dezessete foi concebida pela artista visual paulistana Juliana Russo e tem base na composição clássica da carta da estrela, que representa o número 17 no tarô. A revisão de texto foi realizada por Tatiana Nascimento, também poeta e editora com largo conhecimento da poesia contemporânea brasileira. A designer Bia Menezes assina o projeto gráfico e Larissa Mundim é responsável pela edição, produção gráfica e coordenação editorial do livro. dezessete é o trigésimo primeiro livro da NegaLilu Editora.

Sobre a autora

Beta Reis é uma pessoa não-binária que, por sua vida, sabe que não é exatamente homem nem mulher. Já assinou como Roberto Reis. Nascida em Brasília em 17 de agosto de 1988, mas goianiense de criação. Fez graduação em Ciências Sociais na UnB, mestrado em Antropologia na UFG. É artista, educadora, tradutora, revisora e voluntária. Dançou no espetáculo Cartas de Frida e atuou em Mundo Cerrado, em 2016/2017. Produz zines desde 2016. Publicou poemas na antologia Sobre Gostar Menos (Selo Naduk – NegaLilu Editora, 2019).

 

Serviço

Lançamento: dezessete, de Beta M. X. Reis

17 de fevereiro, 20 horas, nos canais @negalilu (Facebook e Youtube)

Preço: R$ 30,00

Canal de venda: www.negalilu.com.br

 

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